Quarta-feira, Setembro 13, 2006

América dependente

As dimensões da pobreza na América Latina e a cultura do novo capitalismo foi o tema da palestra do professor da PUC e diretor do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (IPTC), Carlos Nelson dos Reis, no dia 14 de agosto. A palestra foi uma homenagem ao Dia do Economista, comemorado em 13 de agosto. A palestra reuniu estudantes de Economia, Administração e Ciências Sociais, além de profissionais da área. Na entrevista, Reis fala sobre as causas da pobreza e o momento atual na América Latina. Entrevista.

Quarta-feira, Junho 21, 2006

Dilema da Varig

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, defende um empréstimo financeiro a futuros compradores da VARIG. Na sua colocação a BBC Brasil um aporte financeiro do BNDES para os compradores da empresa não seria nada demais. Até certo ponto tem razão, pois o BNDES tem muito recurso indisponível para a maioria das empresas nacionais, onde as taxas e garantias complicam a liberação. Mas, a questão que não cala é porque não decidiram isso antes. Penso que não é adequado deixar a empresa literalmente "penar" para então vender com preço certamente baixo e ainda financiando os compradores.

Sábado, Maio 27, 2006

Tributos

Arrecadação Tributária 1º trimestre/2006: trabalhadores e consumidores pagam R$ 56 bilhões em tributos.

Analfabetismo no Brasil

A Constituição Federal diz:

Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:

V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;

Instituto Paulo Montenegro apresenta os resultados do V Indicador de Alfabetismo Funcional, sobre habilidades de Leitura e Escrita.

Só 26% da população brasileira na faixa de 15 a 64 anos de idade são plenamente alfabetizados. Destes, 53% são mulheres e 47%, homens. Do total, mais de 70% têm até 34 anos. Já entre os 7% que são analfabetos, 64% são homens, 77% têm mais de 35 anos e 81% pertencem às classes D e E.

Os dados são do Instituto Paulo Montenegro (IPM), braço social do Grupo IBOPE, estão no Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) – Leitura e Escrita, pesquisa nacional realizada pelo IBOPE Opinião.

Segundo o INAF, 30% estão no Nível Rudimentar, ou seja, conseguem ler títulos ou frases, localizando uma informação bem explícita. Quase 33% são da classe C e 64%, das classes D e E. Somente 6% deles usam computadores, mas 52% dizem ler jornais e 48%, revistas.

Outros 38% dos brasileiros estão no Nível Básico de alfabetismo. Estes conseguem ler um texto curto, localizando uma informação explícita ou que exija uma pequena inferência. As principais deficiências estão concentradas, portanto, entre pessoas das classes C, D e E. Nesse nível, 60% das pessoas têm ao menos o ensino médio completo, 54% usam computadores, 83% dizem ler jornais e 84%, revistas. A divulgação destes resultados integrou a programação do I Encontro LEMA, que contou com a presença de especialistas do Brasil e do exterior em práticas e promoção de habilidades de leitura, escrita e matemática.

Conheça mais sobre o INAF Leitura e Escrita – 2005:
Versão integral do relatório em formato PDF para download - pode ser acessado clicando aqui.

Obs.: METODOLOGIA

Os dados do INAF são coletados anualmente junto a amostras nacionais de 2000 pessoas, representativas da população brasileira de 15 a 64 anos, residentes em zonas urbanas e rurais em todas as regiões do país. Em entrevistas domiciliares, são aplicados questionários e testes práticos. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. A definição de amostras, a coleta de dados e seu processamento são feitos por especialistas do IBOPE que, com o mesmo rigor com que realizam seus demais trabalhos, oferecem esses serviços gratuitamente em apoio à ação social realizada pelo Instituto Paulo Montenegro.

Sábado, Maio 13, 2006

O MST é um movimento autônomo?

SIM

Um movimento contra a escravidão

Por José Arbex Jr.*
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST, comemora a sua maioridade (21 anos) com honra, pompa e circunstância. A marcha sobre Brasília demonstra, "urbi et orbi", a sua independência frente ao governo federal, a sua vitalidade como movimento social e o seu compromisso inarredável de lutar pela reforma agrária.Não é pouco, especialmente quando políticos e intelectuais até ontem comprometidos com a luta pela transformação social, hoje, acometidos por providencial amnésia, negociam sem pudor os próprios princípios no bazar de cargos e "oportunidades de mercado".Não pertenço ao MST, não o represento nem tenho procuração para falar pelo movimento. Mas, como cidadão a ele vinculado por laços de solidariedade, sinto-me orgulhoso de sua luta, que é histórica em pelo menos dois sentidos.Primeiro, por ter como objetivo completar a tarefa de abolir a escravidão: a dos pobres ao capital e a da terra ao latifúndio. Se há um denominador comum a cinco séculos de Brasil, é o fato de que a maioria pobre nunca teve acesso à terra. A infâmia do latifúndio marca a história com o látego do senhor de escravos: até 1850 a terra era monopólio da Coroa; depois, foi dividida entre a nobreza, os capitalistas brancos europeus e quem mais pudesse pagar; no século 20, foi invadida e grilada por coronéis e empresas internacionais; e agora é entregue à sanha do "moderno" agronegócio, aliança entre fazendeiros e meia dúzia de transnacionais que dominam a agricultura brasileira.Nunca a terra pertenceu ao negro alforriado, ao mestiço miserável, ao branco marginalizado. O latifúndio, produtivo ou não, é sinônimo de atraso, por criar desigualdade, concentração de renda, fome -ou "subnutrição", como preferem alguns de nossos doutores-, êxodo rural e tudo o que ele implica de nefasto. Pois bem, o MST quer abolir o latifúndio, como condição indispensável para resolver o problema da pobreza e da desigualdade, e impulsionar uma transformação social de grandes proporções.Não, caro leitor, não é o comunismo. As grandes potências capitalistas do planeta -a começar dos Estados Unidos e França- promoveram a distribuição de terra e investiram no trabalho livre. Aliás, por isso se transformaram em potências.Segundo, a luta do MST é histórica por estar fazendo história. Nunca um movimento de camponeses organizado em escala nacional durou tanto nem criou tantos vínculos capilares com a sociedade civil. A elite sempre foi eficiente quando se tratou de isolar e dizimar os movimentos populares (basta lembrar Palmares, Canudos, as ligas camponesas, a Ultab, o Master e tantos outros).O MST sobrevive com a teimosia e o atrevimento de quem sabe que a sua luta tem dimensão épica, faz parte da batalha mais geral pela emancipação nacional. Por isso, mantém alianças com o conjunto de movimentos sociais, organizações de trabalhadores, sindicais, populares e intelectuais que não abandonaram a perspectiva de fazer do Brasil um país soberano.Graças ao serviço de permanente desinformação praticado pela mídia, poucos sabem que o MST mantém 1.300 escolas de ensino fundamental e emprega 3.000 educadores que cuidam de 160 mil crianças e adolescentes. Por meio do convênio Brasil Alfabetizado, acertado com o MEC, cerca de 30 mil adultos foram alfabetizados, com o auxílio de 2.000 educadores populares voluntários. Outros 300 educadores trabalham com crianças de até seis anos nas "cirandas infantis", que funcionam nos assentamentos e acampamentos. Esse trabalho mereceu o Prêmio Unesco de Excelência Pedagógica.Em janeiro passado, o MST inaugurou a primeira universidade popular do Brasil, em Guararema, a 60 km de São Paulo -para horror de certos doutores preconceituosos, incapazes de aceitar a idéia de que o "populacho" possa organizar um centro produtor de conhecimento de alto nível e rigor científico. A sua sede foi construída com trabalho voluntário e com dinheiro oriundo de contribuições de organizações, artistas e intelectuais brasileiros e estrangeiros (incluindo Sebastião Salgado, Chico Buarque e José Saramago). Não por acaso, a universidade foi batizada com o nome de Florestan Fernandes e saudada, no dia de sua inauguração, por Antonio Candido.O MST, mundialmente reconhecido, respeitado e admirado, só conseguiu realizar tanto por ser autônomo em relação aos partidos políticos e a quaisquer outras instituições estranhas aos assentamentos e acampamentos que constituem a sua base e a sua vida. Não se submete, portanto, ao jogo de alianças, acordos espúrios, conveniências eleitorais, cálculos e táticas arquitetado nos gabinetes obscuros dos palácios. O MST só não é autônomo em relação ao conjunto da nação oprimida. Ao contrário: a ela, somente, subordina-se e atrela o seu destino.Senhores da terra, é muito fácil acabar com o MST. Basta realizar a reforma agrária.
* José Arbex Jr., 47, jornalista, doutor em história pela USP, é editor especial da revista "Caros Amigos" e autor de "Showrnalismo - a Notícia como Espetáculo" (editora Casa Amarela).

NÃO

A dependência oculta

Por José de Souza Martins*
O MST não é uma organização política autônoma nem é um movimento social que disponha, por isso, da independência própria dessa forma de manifestação das demandas sociais. Mas é uma importante expressão do que vem se tornando a política na modernidade anômala dos países de grandes desencontros entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social, como o Brasil. Países em que populações retardatárias da história emergem nas brechas do sistema político e apresentam, de forma ritualmente tradicionalista, suas demandas sociais aparentemente extemporâneas. Estamos em face da realidade política de populações que tentam fazer um acerto de contas com a história.Justamente porque sua data histórica sugere que suas demandas são demandas atrasadas e fora de época é que a organização assume a aparência de uma autonomia que não é real. De modo que, mesmo com seus aliados mais importantes, de cujas organizações são, hoje, suportes fundamentais, como o PT e a igreja, pode manter uma relação de estranhamento crítico que se manifesta em cobranças, como essas da marcha do MST sobre Brasília. Mas, chegam lá, o presidente veste o boné mais uma vez e os ministros dizem que já está tudo certo e arranjado. A reivindicação oculta da marcha atendeu a uma necessidade do governo: dar visibilidade para os seus êxitos, ainda que limitados, na questão agrária, muito aquém do anunciado. Sobretudo mostrar um governo aberto às reivindicações camponesas.O MST é certamente uma organização constitutiva do Partido dos Trabalhadores, uma base do partido. Sem a Pastoral da Terra -da qual o MST se origina- e sem o MST, dificilmente o PT teria se expandido tão extensamente no interior e dificilmente se tornaria o único partido brasileiro com uma ampla base rural e popular. Em termos da extensão territorial de sua presença, o PT é muito mais um partido rural do que um partido operário.Quando, na campanha eleitoral de Lula à Presidência, essa organização decidiu refrear suas manifestações e as ocupações de terra, fê-lo exatamente para não prejudicar a candidatura petista, para não a carimbar com nenhum timbre de radicalismo. O calendário das agitações no campo regulado pelo calendário eleitoral, não só nesse caso, tem sido uma boa indicação do vínculo partidário da organização.O MST é também uma das principais e mais interessantes expressões políticas do catolicismo pós-conciliar na América Latina. Ele se constituiu a partir de quadros das pastorais sociais. Foi quando começou a ficar evidente que mesmo os bispos chamados progressistas tinham limites claros para se envolverem na pastoral de suplência que resultou do profundo compromisso da Igreja Católica com os trabalhadores rurais. Era o cenário histórico da ditadura militar, da violência genocida e da violação radical da própria condição humana, sobretudo na chamada Amazônia Legal, mais da metade do território brasileiro.A busca de alternativas e o posicionamento político dos agentes de pastoral envolvidos na arregimentação e no protesto das vítimas pediu também uma opção política radical. Esse era o limite dos bispos com o fim da ditadura. O canal de expressão dessa mobilização camponesa teria que ser outro. O nascimento do MST foi o meio de fazer fluir para o âmbito próprio da política o que já não tinha condições de se organizar e expressar plenamente no âmbito da igreja.O MST se tornou de vários modos expressão do catolicismo militante, pelo apoio moral, logístico e material. Importou da igreja formas litúrgicas de manifestações de massa, expressões ampliadas das romarias da terra, variantes políticas das procissões religiosas. O MST não se move apenas com base em ideologia política, mas sobretudo com base na mística milenarista de um tempo de redenção dos pobres e oprimidos.Porém a principal herança que o MST recebeu da igreja, e seguramente a mais interessante, é a da grande tradição do pensamento conservador, aquele modo de pensar o mundo que, no século 19, opôs-se ao liberalismo da revolução do século 18, como mostrou Robert Nisbet. No lugar do indivíduo fragmentário, a concepção de pessoa; no lugar da sociedade da sociabilidade abstrata e interesseira, a comunidade da sociabilidade solidária e afetiva. Os valores que norteiam o MST vêm desse estoque de idéias conservadoras: a propriedade da terra, o trabalho comunitário, a religião, a família, a comunidade. De fato, ele está muito longe do marxismo. E muito longe da independência: o MST até hoje não tem uma compreensão objetiva de seu lugar na história, justamente porque não tem autonomia.
* José de Souza Martins, 66, é professor titular aposentado do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP. É autor de, entre outros livros, "O Sujeito Oculto - Ordem e transgressão na reforma agrária" (editora da UFRGS).

Fonte: Síte do MST-Brasil

Dívida de países pobres

A Diretoria Executiva do Banco Mundial aprovou no final de março a contribuição do Banco Mundial à Iniciativa Multilateral de Alívio da Dívida (MDRI-IMAD) que irá perdoar a dívida de alguns dos países mais pobres do mundo. Prevê-se que a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) contribua mais de USD 37 bilhões, ao longo de 40 anos, para esse esforço.

Segundo o Presidente do Grupo Banco Mundial, Paul Wolfowitz, este é um acordo histórico que alia um aumento do financiamento ao alívio da dívida e que irá ajudar os países pobres a cumprirem as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Na Cúpula do G8 de julho de 2005, em Gleneagles, Escócia, os líderes do grupo comprometeram-se a cancelar a dívida dos países mais endividados do mundo, a maior parte dos quais na África. O perdão da dívida será fornecido pela Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e Fundo Africano de Desenvolvimento aos países que se tenham concluírem a Iniciativa para os Países Pobres Muito Endividados (PPME/HIPC).

Existem atualmente 17 países elegíveis para perdão de 100% da dívida: Benin, Bolívia, Burkina-Faso, Etiópia, Gana, Guiana, Honduras, Madagascar, Mali, Moçambique, Nicarágua, Níger, Ruanda, Senegal, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Fonte: Grupo Banco Mundial-Brasil

Quinta-feira, Maio 11, 2006

“Ninguém é perfeito, mais uma equipe pode ser.”


Todo líder de empresa deve se empenhar para construir uma organização de porte internacional, que seja economicamente competitiva e preparada para defender a globalização em seu próprio país, disse Klaus Kleinfeld, CEO da Siemens AG, conglomerado alemão de engenharia e eletricidade.

Discursando durante recente Conferência da Wharton sobre Liderança, Kleinfeld disse que o receio dos americanos em relação à venda de ativos portuários para uma empresa de Dubai, e a resistência dos franceses à venda da fabricante de iogurte Danone — um “tesouro nacional”, segundo autoridades francesas — deixam claro o temor de que a globalização se dê à custa do emprego dos trabalhadores dos países desenvolvidos. Receios desse tipo podem desencadear uma reação contra a globalização e limitar o crescimento econômico no futuro, advertiu. “As pessoas comuns — os eleitores — não compreendem o que se passa e vêem uma ameaça no que está acontecendo”, disse Kleinfeld. “Nós, como líderes, temos a responsabilidade de explicar a elas os pontos positivos da globalização.”

A Siemens, presente em 190 países, registrou um volume de vendas no ano passado de 91,5 bilhões de dólares. A empresa opera uma série de negócios na área de energia, transporte, automação e controles, saúde, iluminação e tecnologia de construção. A Alemanha, onde a Siemens possui sedes conjuntas em Munique e Berlin, desfruta dos benefícios próprios de todo grande exportador em uma economia cada vez mais globalizada, disse Kleinfeld. “Mas as pessoas não juntam os pontinhos. Cabe às empresas, mais do que nunca, explicar o que está acontecendo. Se não o fizermos, as coisas podem pender para o lado do homem comum, o que é terrível, mas é assim que as coisas funcionam em uma democracia.”

A Siemens foi uma das primeiras empresas a estender a semana de trabalho de 35 para 40 horas, sem pagamento adicional, em 2004. Os sindicatos, muito a contragosto, tiveram de concordar depois que a empresa ameaçou transferir suas instalações para a Hungria. Atualmente, o movimento grevista patrocinado pelos sindicatos voltou suas baterias contra a Siemens e a DaimlerChrysler AG, cujos trabalhadores reivindicam 5% de aumento.

Kleinfeld, de 48 anos, é maratonista; na Alemanha, seu perfil é o de um líder empresarial jovem e sincero. Trata-se de uma pessoa que conhece a cultura corporativa dos EUA, tendo trabalhado por três anos na sede da Siemens americana em Nova York.

Durante a palestra proferida na Wharton, Kleinfeld enfatizou sua convicção de que a flexibilidade cada vez maior da mão-de-obra redundará em benefícios para os trabalhadores alemães. “Se as pessoas quiserem competir, terão de se ajustar e entender como é o mundo”, disse. “Espero que um número cada vez maior de pessoas compreenda que somente se formos competitivos poderemos garantir nossos empregos e abrir novos postos de trabalho.”

Com 460.000 funcionários no mundo todo — nos EUA são 70.000 —, a Siemens, com 159 anos de história, é hoje o oitavo maior empregador privado do mundo. As operações da empresa na Alemanha empregam 165.000 funcionários. Não é nada barato administrar todo esse pessoal, observou Kleinfeld, porém essas pessoas não constituem peso algum para a Siemens. “As equipes de trabalhadores na Alemanha estão entre as mais competentes. Elas introduzem produtos nos mercados mundiais a um ritmo acelerado. Não se deve jamais mexer em time que está ganhando.” Kleinfeld disse que clientes do mundo todo procuram as instalações da Siemens em regiões remotas da Alemanha para conhecer os produtos de ponta da empresa. “Não importa se incorro ou não em custos adicionais para a fabricação do meu produto, desde que ele chegue rapidamente ao mercado e tenha um design de qualidade. O custo não é tudo.”

A Siemens está se expandindo rapidamente na Ásia, no Oriente Médio e em outras partes do mundo, inclusive nos EUA. Em 1995, a Alemanha representava 45% do faturamento da empresa, mas esse percentual caiu em torno de 21% em 2005, ao passo que o percentual de empregados alemães caiu de 57% para 36% no mesmo período.

A expansão global da empresa tem suscitado dúvidas sobre um possível offshoring. “É curiosa essa discussão sobre offshoring no caso de empresas que operam no mercado internacional. Onde, afinal, você opera?”, indaga Kleinfeld. “Opero na Índia e na China tanto quanto na Alemanha e nos EUA.” A Siemens continuará a migrar para regiões em desenvolvimento com faturamento crescente. “Creio que teremos em breve um volume maior de negócios, ou partes de negócios, em regiões de crescimento como Índia e China’, disse.

A empresa ”investirá em praticamente todas as oportunidades que fizerem sentido para nós”, observou Kleinfeld, acrescentando que a Siemens não tem restrições financeiras em seu crescimento. A maior restrição é a falta de pessoal qualificado capaz de tomar a frente dos negócios nesses novos mercados. Aliás, sua palestra teve como tema “Gestão de talento nas novas gerações”.

“No mundo de hoje, o conhecimento viaja mais depressa do que no passado; portanto, se estivermos falando de vantagem competitiva sustentável, provavelmente a única vantagem com que podemos contar é com a qualidade do pessoal que temos e a forma como esses profissionais interagem como equipe”, disse Kleinfeld, acrescentando que a liderança da Siemens é avaliada com base em sua capacidade geral de gestão — isto é, sua capacidade de análise, bem como seus traços pessoais, como autodisciplina e a capacidade de se posicionar em favor daquilo em que acredita. Além disso, a Siemens busca executivos em ascensão com especialidades como, por exemplo, um histórico de conhecimentos na área de matemática e de engenharia, fluência em um segundo idioma ou conhecimento da indústria. “O profissional que me mais interessa é aquele que se debruça apaixonadamente sobre um tema e o analisa em profundidade até compreendê-lo totalmente.”

Exportando a engenharia alemã
Kleinfeld doutorou-se em gestão estratégica pela universidade alemã de Wuerzburg, em 1992, e fez seu mestrado em gestão de negócios e economia na Universidade de Goettingen. Começou a trabalhar na Siemens em 1987, no setor de vendas corporativas e na divisão de marketing. Posteriormente, fundou a Consultoria de Gestão da Siemens, e foi vice-presidente executivo do grupo de engenharia médica da empresa em 2001, ocasião em que foi nomeado diretor de operações da Siemens em Nova York. Um ano depois, foi promovido a CEO dos negócios da empresa nos EUA. Em 2004, voltou para a Alemanha e, em princípios de 2005, foi nomeado CEO da empresa. Passados poucos meses, ele vendeu o negócio da Siemens na área de aparelhos de telefonia móvel — um setor problemático para a empresa — para a taiwanesa BenQ.

Kleinfeld disse que a Siemens foi fundada por um empreendedor, Werner von Siemens, e tem como negócio principal a tecnologia elétrica. “A eletricidade era algo fascinante na época, e continua a ser ainda hoje. Foi ela que nos levou efetivamente a todos os negócios que temos hoje.” Poucos anos depois de sua fundação, a empresa abriu escritórios em Londres e começou a construir um sistema de telegrafia para a Rússia. “Nossa cultura tem características internacionais, embora gire em torno de valores de engenharia alemães. Tivemos sucesso em exportar isso” para o mundo todo, disse Kleinfeld.

O CEO admitiu também que a estrutura de conglomerado entrou em moda e saiu três vezes no decorrer de sua carreira; no caso da Siemens, porém, funciona. “Para que um conglomerado tenha sucesso, é preciso que ele tenha êxito em cada um dos negócios individualmente, quer seja no segmento médico, de transporte ou comunicação. Cada negócio tem concorrentes específicos, cabe a você superar todos eles.”

A estrutura de conglomerado gera sinergias capazes de impulsionar o desempenho de cada negócio. Por exemplo, depois dos ataques terroristas de 11 de setembro nos EUA, os pesquisadores da Siemens envolvidos no reconhecimento de padrões no segmento médico da empresa, detectaram oportunidades para a mesma tecnologia no setor de segurança. A divisão de sistemas de construção desenvolve hoje produtos de reconhecimento de padrões.

Outro exemplo de benefícios proporcionados pela estrutura de conglomerado, prosseguiu Kleinfeld, pode-se ver na aquisição pela Siemens, em 2005, do Grupo Flender, fabricante de sistemas industriais de acionamento. A demanda pelos produtos da Flender aumentou significativamente porque a equipe de vendas da Siemens leva os produtos da empresa a 190 países, em vez dos 20 atendidos pelas redes de distribuição da Flender.

O conglomerado interage muito bem quando trata com clientes que possuem uma estrutura complexa, acrescentou. Kleinfeld cita os aeroportos como segmento de negócio em expansão cujas necessidades são complexas, e que vão desde sistemas de segurança ao manuseio de bagagens, resfriamento e aquecimento, bem como comunicações, todas elas áreas em que a Siemens tem grande experiência. A empresa chegou ao requinte de construir um aeroporto próprio, próximo de Nurembergue, onde faz simulações. Ali a empresa desenvolve e testa produtos aeroportuários, como sistemas de orientação para estacionamento, transporte de bagagens e check-in. “Podemos ajudar nossos clientes a compreender para onde a tecnologia está nos levando”, disse. “Isso aumenta a geração de valor para o cliente dada a velocidade com que as mudanças vêm ocorrendo” nesse setor.

“Tipos que gostam de controlar” não são bem-vindos
Todo gerente que atua no segmento global da economia precisa pensar sempre em termos internacionais, mas deve agir em âmbito local, disse Kleinfeld. Em seguida, ele enumerou alguns princípios que norteiam a ação do líder bem-sucedido. Cada um deles vem acompanhado de uma advertência. Em primeiro lugar, disse, o líder tem de elevar os padrões estabelecidos e colocar desafios que o obriguem a um desempenho extraordinário, dominando cada detalhe, mas também é preciso delegar. “Tipos que gostam de ter tudo sob controle o tempo todo não são bons administradores.”

Ele incentivou o profissional de iniciativa própria à ação, contanto que, para isso, tenha o apoio da gerência sênior para protegê-lo de esquemas mal formulados. “A liberdade empresarial traz consigo uma responsabilidade: imaginar qual seria a conseqüência mais negativa possível. Se fizermos um furo no casco de um navio, corremos o risco de afundá-lo por inteiro. Esse tipo de comportamento empresarial não é nada interessante.”

O respeito pelos colegas e a capacidade de dialogar e ouvir os outros membros da equipe é fundamental, sobretudo na era do e-mail. “Não temos o direito de faltar com o respeito para com outros indivíduos mesmo que os estejamos demitindo”, disse Kleinfeld. “Tem gente que sente prazer em demitir. São indivíduos doentios que não desejo ter na organização.”

Kleinfeld insistiu com os executivos para que trabalhem com afinco e se divirtam muito, porque “toda moeda tem dois lados”. Acrescentou também que os líderes fortes precisam conservar sua independência pessoal, ao mesmo tempo que devem se esforçar para aprender a trabalhar em grupo, alavancando os recursos da equipe e as informações disponíveis. Por fim, Kleinfeld disse que, em se tratando de liderança, seu mantra sempre foi: “Ninguém é perfeito, mais uma equipe pode ser.”
Fonte: Universia

Domingo, Abril 30, 2006

Bird critica gasto público nacional

Por Joselmar Silva

Esse é um problema de muitos anos. Arrecada-se muito bem e gasta-se muito mal. Como resolver?

O diretor para o Brasil do Bird (Banco Mundial), John Briscoe, criticou ontem em Belo Horizonte o governo brasileiro, afirmando que o país tem taxas altas de juros, que gasta mal apesar da arrecadação alta e que a porção mais pobre da população não está sendo devidamente beneficiada. Segundo Briscoe, o governo não consegue ser eficiente na gestão da máquina pública. "Como é que a máquina pública não consegue produzir melhores resultados em saúde, educação, infra-estrutura? Então, por isso, toda a parte que trata da gestão pública, com esse dinheiro, pode dar resultados melhores. É um desafio absolutamente fundamental para o Brasil", disse. Briscoe enumerou os dois "problemas fundamentais" do país: as "taxas [de juros] muito altas" e o uso que é dado ao dinheiro arrecadado. Destino"O que se pergunta é em que se usa aquele dinheiro todo, qual é o resultado", questionou Briscoe. O próprio diretor do Bird arriscou explicações sobre o destino de parte da arrecadação do país, citando uma parcela "relativamente pequena" para o pagamento da dívida externa e uma parte "muito grande" destinada à Previdência Social. E essa parte que vai para Previdência, conforme disse, "não vai para as pessoas mais pobres". Ele, então, acrescentou: "Uma reforma previdenciária é essencial". Briscoe disse que o gasto público de muitos outros países, como o México, representa a metade ou menos do que gasta o governo.

Financiamento

O diretor do Bird assinou com o governo de Minas contrato de financiamento no valor US$ 170 milhões (R$ 357 milhões), que serão destinados à execução de projetos estruturadores.A novidade desse financiamento é que o governo mineiro está liberado de apresentar contrapartida em dinheiro. A contrapartida que o Estado vai ter será melhorar os indicadores sociais, como segurança, saúde, educação e ambiente. Metas para esses indicadores serão definidas. Fonte: Folha Online

Quinta-feira, Abril 20, 2006

Copa do Mundo na UNISC

Copa do Mundo 2006 terá uma prévia na Unisc. De 20 de maio a 17 de junho, a instituição estará realizando a Copa do Mundo Universitária, um torneio de futebol 7 em que as equipes receberão os nomes das 32 seleções que disputarão o mundial. Os grupos também serão divididos conforme a tabela da Copa da Alemanha.

Podem participar do torneio funcionários, professores e alunos da Unisc, da Escola Educar-se, da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e dos cursos técnicos do Cepro, além dos trabalhadores terceirizados da manutenção, dos restaurantes e da reprografia. A taxa de caução é de R$ 50,00 por equipe, valor que será devolvido aos times sem WO. A quantia não devolvida será doada à Associação de Combate à Fome e à Miséria de Santa Cruz do Sul. Fonte Gazeta do Sul.

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Muito bom esse portal "diálogos universitários". Confira, pois tem ótimas dicas sobre universidades, sobre carreiras e em geral sobre o meio acadêmico.